Neurônios e torneiras
O barulho da água pingando pela torneira da cozinha, a meia escuridão dos primeiros raios de Sol, a preguiça de um corpo que acabara de ser despertado sem ter sido solicitado, a raiva por ser obrigada a realizar uma ação que não havia planejado nem tinha o menor interesse em realizar, mas, tinha que desligar aquela maldita torneira que a estava irritando e impedindo de dormir com os anjos.
Ela, ainda menina, achava ser muito mais idosa do que parecia, não no seu aspecto físico, que ainda lhe conferia um ar infantil no rosto e gestos delicados de uma adolescente. O seu ímpeto de pular etapas e tentar resolver problemas de gente mais idosa era o que lhe transmitia esta sensação. Ela estava angustiada por não estar conseguindo resolver todos os problemas que seu trabalho, numa repartição pública, lhe impunha. A vida não estava sendo justa com ela, pois tinha estudado tanto, dedicando boa parte de sua vida a corresponder às expectativas da família, dos amigos, professores e até mesmo da sociedade em que vivia, em pleno final do século XX.
O destino já havia colocado em seu caminho um anjo, um médico, um neurologista, um trabalhador e angustiado ser, operário de hospital público, tinha falado para ela não tentar ultrapassar os limites de seus neurônios. Ela deveria fazer somente aquilo que seu cérebro ainda jovem lhe permitia, pois se tentasse exceder a capacidade de seus neurônios ainda não totalmente maturados, iria sentir-se exausta, insatisfeita, teria enxaquecas, náuseas, tpm exacerbada, etc.
Quando reúne todas as forças para se levantar, cai na real e percebe o quanto deveria ter sido menos teimosa, escutado o parecer do médico, ter seguido sua receita e também chamado um encanador para arrumar a sua torneira, já que seus neurônios não foram capazes de descobrir o defeito que a está estressando tanto e fazendo que acorde às 5:17h de um feriado, quando fora dormir às 4:13 da madrugada. (KyoHiro)
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