sábado, abril 29, 2006

poeta da América

Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem,
E digo que é tão bom ser mulher quanto ser homem.
Ou que descrevem fluídos de uma orgia sexual:
Límpidas e ilimitadas ejaculações de amor quentes e imensas...
gelatina trêmula do amor... suco delirante jato branco,/
Noite de núpcias trabalhando com segurança e suavidade dentro da aurora ereta,
Entrando e saindo dentro do dia pronto e produtivo,
Perdido na brecha apertada na carne tenra e macia do dia"?
Ou o voyeur que canta a marcha dos bombeiros em seus trajes -
o membro masculino jogando sob as calças bem justas e dos cós?
Ou ainda que descreve uma ejaculação em Os Adormecidos:
O pano lambe a primeira sobremesa e bebida,
Lambe os ovos devoradores de vida...
lambe a orelha do milho rosa, cheio de leite e no ponto:
O dente branco fica, e o da frente se enfia na treva,
E um licor se derrama dos lábios e nos seios e fazem tim-tim,
e o melhor licor vem depois.

Walt Whitman (1819-1892)

sexta-feira, abril 28, 2006

Também um poeta...

UM SONHO NUM SONHO

Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?

Edgar Allan Poe

quinta-feira, abril 27, 2006

Primeiras impressões de um adolescente

Dançar

Gestos meigos, delicados, admirável
Nos dá a impressão que flutuam
graça, sensibilidade, uma inconfundível
insensatez, embriagues, luxúria,
instante em que tudo se transforma,
delicadeza de seu olhar!

vi, gostei muito , adorei, fui tomado
inacreditável surpresa que tive
como foi bom, maravilhoso
gostaria muito de ver novamente,
sou insensível, sensível, choro,

Sua feição pueril, infantil
sua porção criança levada,
seu sorriso maroto, moleca,
misturado com sua delicadeza,
leveza e ternura, meiga arte!

Vi, adorei, curti até o último
instante em que estiveram lá
ao meu alcance e ao mesmo tempo
tão distante, mas sei que
aquelas imagens são inesquecíveis
Ah! que prazer que tive, pois ... a vi!
L I N D A !!!!!

autor: kyoHiro

quarta-feira, abril 26, 2006

Charles Dickens

Frases e pensamentos de Charles Dickens

" Há cordas no coração que melhor seria não fazê-las vibrar"

" Um homem nunca sabe aquilo de que é capaz até que o tenta fazer".

" Nunca devemos envergonharmo-nos das nossas próprias lágrimas".

" Só peço para ser livre. As borboletas são livres"

domingo, abril 23, 2006

Obscenidade e política..

“A obscenidade é um processo purificador enquanto a pornografia apenas aumenta a sujeira”.

“A política não me interessa em nada. Encaro a política como uma coisa inteiramente suja, um mundo podre. Não se chega a parte alguma através da política”.
(Henry Miller)

Em tempos de pedofilia...

" os ombros frágeis, cor de mel, as costas flexíveis, nuas e sedosas, os cabelos castanho-avermelhados. E, como se eu fosse a aia de uma princesinha de conto de fadas (perdida, raptada, descoberta em andrajosos trajos ciganos através dos quais sua nudez sorria para o rei e seus cães de caça), vi o encantador e retraído abdômen, e as ancas infantis, com a marca crenulada deixada pelos shorts..."
(Wladimir Nabokov)

Um pequeno conto

Neurônios e torneiras

O barulho da água pingando pela torneira da cozinha, a meia escuridão dos primeiros raios de Sol, a preguiça de um corpo que acabara de ser despertado sem ter sido solicitado, a raiva por ser obrigada a realizar uma ação que não havia planejado nem tinha o menor interesse em realizar, mas, tinha que desligar aquela maldita torneira que a estava irritando e impedindo de dormir com os anjos.
Ela, ainda menina, achava ser muito mais idosa do que parecia, não no seu aspecto físico, que ainda lhe conferia um ar infantil no rosto e gestos delicados de uma adolescente. O seu ímpeto de pular etapas e tentar resolver problemas de gente mais idosa era o que lhe transmitia esta sensação. Ela estava angustiada por não estar conseguindo resolver todos os problemas que seu trabalho, numa repartição pública, lhe impunha. A vida não estava sendo justa com ela, pois tinha estudado tanto, dedicando boa parte de sua vida a corresponder às expectativas da família, dos amigos, professores e até mesmo da sociedade em que vivia, em pleno final do século XX.
O destino já havia colocado em seu caminho um anjo, um médico, um neurologista, um trabalhador e angustiado ser, operário de hospital público, tinha falado para ela não tentar ultrapassar os limites de seus neurônios. Ela deveria fazer somente aquilo que seu cérebro ainda jovem lhe permitia, pois se tentasse exceder a capacidade de seus neurônios ainda não totalmente maturados, iria sentir-se exausta, insatisfeita, teria enxaquecas, náuseas, tpm exacerbada, etc.
Quando reúne todas as forças para se levantar, cai na real e percebe o quanto deveria ter sido menos teimosa, escutado o parecer do médico, ter seguido sua receita e também chamado um encanador para arrumar a sua torneira, já que seus neurônios não foram capazes de descobrir o defeito que a está estressando tanto e fazendo que acorde às 5:17h de um feriado, quando fora dormir às 4:13 da madrugada. (KyoHiro)

sexta-feira, abril 21, 2006

Estória contada pelos pais

Esta estorinha infantil era contada de geração para geração, numa região do Japão, até ser escrita e divulga por todo o arquipélago. Para quem ainda não conhece, eis:

Momotaro

Há muito tempo, em uma vila distante, vivia junto um casal de velhinhos. Num certo dia, o velhinho colhia gravetos de madeira na montanha e a velhinha lavava roupas no riacho. Enquanto esfregava as roupas, ela viu um pêssego enorme flutuando no rio e, com alguma dificuldade, conseguiu alcançá-lo.
Ela carregou o pêssego para casa, parando diversas vezes no caminho para descansar. O velhinho chegou em casa no final da tarde e ficou muito contente quando viu o enorme pêssego. "Que lindo pêssego, parece delicioso!", disse o velhinho. Quando se preparavam para fatiá-lo, o pêssego se mexeu. "Esta vivo, está vivo", disse a velhinha.
De repente, um pequeno menino saiu de dentro do pêssego. Estarrecidos, os dois ficaram olhando e examinando. Como não tinham filhos, eles ficaram muito contentes e resolveram adotar o menino. Decidiram que seu nome seria Momotaro.
O tempo passou e, quanto mais o Momotaro crescia, mais saudável ficava. Numa certa noite, ele ouviu conversas sobre os Onis, monstros que atacavam as aldeias e assustavam os moradores locais. Ele ficou tão bravo que tomou uma decisão: iria à Ilha dos Onis para combatê-los.
A princípio, seu pais ficaram muito assustados, mas gostaram de ver a coragem do filho. Apesar do medo que sentiam, os velhinhos preparam diversos bolinhos, os kibidangos, para Momotaro levar na viagem.
Na manhã seguinte, Momotaro partiu, levando consigo os kibidangos. No caminho, ele encontrou um cachorro. "Momotarosan, Momotarosan, por favor, dê-me um bolinho e eu irei com você enfrentar os Onis", disse o cachorro. Momotaro deu-lhe um kibidango e o cachorro partiu com ele.
Mais adiante, encontraram um macaco. "Momotarosan, Momotarosan, o que você leva neste saquinho?". "São kibidangos, os deliciosos bolinhos, os melhores do Japão"." Pode me dar um? Assim eu irei com vocês". E assim foi feito. Momotaro, o cachorro e o macaco seguiram o caminho juntos e, mais à frente, viram um faisão. Ele também pediu e ganhou um kibidango e assim seguiram em quatro.
Após uma longa jornada eles chegaram ao mar. Remaram e remaram, enquanto o faisão voava e indicava o caminho, pois o céu estava escuro e coberto de nuvens. Quando chegaram à ilha dos Onis, tudo parecia assustador, os portões do castelo eram grandes e escuros, havia névoa e o dia estava escuro.
O macaco, com toda sua agilidade, escalou o alto portão e o destrancou por dentro. Todos entraram no castelo e deram de cara com os horrendos Onis, que se levantaram e encararam os quatro. "Sou Momotaro e vim enfrentá-lo". Travou-se então uma grande luta. O faisão voava e, com seu bico afiado, feria os inimigos. O cachorro corria em volta do Onis e lutava com dentadas, enquanto o macaco utilizava suas unhas.
Finalmente, após muita luta, Momotaro e seus companheiros derrotaram os Onis. "Nunca mais vamos invadir as aldeias e prejudicar os moradores, nós prometemos. Por favor, poupe nossas vidas ", disse o chefe dos Onis.
Compreensivo e bondoso, Momotaro perdoou os Onis. Em troca, o chefe ofereceu-lhe os tesouros que eles vinham roubando das aldeias, eram moedas de ouro, pedras preciosas e outros objetos de grande valor. Momotaro retornou para casa e, quando seus pais o viram, não puderam acreditar. Ele estava salvo e carregava um grande tesouro, que foi dividido entre todos os moradores da aldeia.
Erica Noda http://www.nihonsite.com/lendas/momo/index.cfm

A primeira vez durante a infância !

É sempre reconfortante falar sobre o primeiro livro, acho que foi os três porquinhos, durante uma aula, mas foi a professora quem contou! O primeiro que li foi um clássico dos excluídos que vencem no final, O Patinhto Feio, de Hans Christian Andersen. Era um livro com ilustrações que uma de minhas irmãs tinha usado.
O primeiro filme, Bernardo e Bianca - (The Rescuers), de Walt Disney, animação de aventura com dois ratinho, acho que pouca gente ainda se lembra deste desenho animado, nos tempos de Era do Gelo 2.

Um poema antigo

Estou colocando um poema que escrevi há alguns anos atrás, aguardo comentários, tanto os positivos quanto os negativos, Please.......

Pueril

Avistei-a, sorriu-me
falou, sorriu, gargalhou,
Jeito de menina, órfã.
Fitou-me com emoção

Ontem disse-lhe que era bela,
tinha as feicões, da mãe.
O jeito que encarava,
encantei-me com sua ingenuidade

Sorri-lhe com sinceridade
seu ar virginal, moleca
Quis tê-la tocado
Não pude, quisera

Hoje toco-a, êxtase
Falo de amor, carinho.
Protesta, sorri, julga-me.
Não imagina o quanto sou!

autor: KyoHiro

Por que Hayek, Popper e Gombrich ?

Eu identifico três grandes pensadores que muito contribuíram para minha atual visão sobre a literatura. As idéias destes pensadores do século XX, contribuiu muito para compreender e nortear o pensamento e o comportamento humano no século XXI. É muito significativa a posição de Friedrich Hayek no campo da economia, quando trouxe uma nova luz para o liberalismo econômico, no momento em que as sangrentas lutas que ocorriam nos anos pós-guerra, entre socialismo e capitalismo. Ele contribuiu muito para que um novo conceito de Estado se formasse, humanizando o capitalismo selvagem vigente e com certeza, alterou os rumos da humanidade diante dessa nova perspectiva. Karl Popper pode ser definido como o último dos filósofos clássicos. Ele deu enorme contribuição para o progresso científico, quando introduziu o conceito de falso e verdadeiro na análise do que realmente é ciência ou apenas pseudociência. Ernest Gombrich trouxe enorme contribuição na definição de arte. Ele propõe a tese de que não existe evolução no processo criativo artístico. O artista tenta retratar suas impressões sobre o passado, presente e futuro, portanto, em qualquer época ele pode criar obras diferentes, mas não se pode afirmar que são mais ou menos evoluídas que a arte medieval ou renascentista.

Um apelido, alcunha, nickname, etc...

Uma das coisas mais complicadas que existe na vida é todo o ritual envolvido quando a gente vai se encontrar com alguém desconhecido, mas que você já ouviu dizer que é seu parente, amigo de um amigo ou agora no século 21, que você viu em algum site da Internet, pois você não sabe qual vai ser a reação dela no primeiro contato. Neste instante começo a publicar alguns textos para que as pessoas possam compartilhar algumas impressões sobre arte, filosofia e comportamento, sinto a mesma emoção quando aos 7 anos de idade, pela primeira vez entrei numa sala de aula, fato este tão mágico e significativo mas, para muitos apenas "mais uma obrigação ou tortura". Foi um ato tão definitivo, que me permitiu estar tantos invernos e primaveras depois, escrevendo estas singelas palavras.

quinta-feira, abril 20, 2006

O primeiro post, "INÍCIO"

Nada melhor do que começar algo com algo bonito, belo, tocante!

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Adélia Prado

http://www.secrel.com.br/jpoesia/ad.html