sábado, abril 29, 2006

poeta da América

Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem,
E digo que é tão bom ser mulher quanto ser homem.
Ou que descrevem fluídos de uma orgia sexual:
Límpidas e ilimitadas ejaculações de amor quentes e imensas...
gelatina trêmula do amor... suco delirante jato branco,/
Noite de núpcias trabalhando com segurança e suavidade dentro da aurora ereta,
Entrando e saindo dentro do dia pronto e produtivo,
Perdido na brecha apertada na carne tenra e macia do dia"?
Ou o voyeur que canta a marcha dos bombeiros em seus trajes -
o membro masculino jogando sob as calças bem justas e dos cós?
Ou ainda que descreve uma ejaculação em Os Adormecidos:
O pano lambe a primeira sobremesa e bebida,
Lambe os ovos devoradores de vida...
lambe a orelha do milho rosa, cheio de leite e no ponto:
O dente branco fica, e o da frente se enfia na treva,
E um licor se derrama dos lábios e nos seios e fazem tim-tim,
e o melhor licor vem depois.

Walt Whitman (1819-1892)

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