sábado, agosto 08, 2009

Filosofia do amor

A filosofia do amor

Que pode uma criatura senão, / entre criaturas, amar? Os versos de Drummond encerram uma pergunta retórica, cuja resposta se conhece de antemão. Mas a forma como o poeta imprime às palavras uma melodia obsessiva, repetindo um vocábulo intenso como criatura, renova a questão, como se ele e nós ignorássemos a inevitabilidade do amor. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) inicia sua Metafísica do Amor (Martins Fontes) admitindo que os poetas sempre falaram mais e melhor sobre esse assunto do que seus colegas de filosofia. Platão, reclama o autor, deteve-se mais no amor dos gregos por rapazes, passando ao largo do amor entre homem e mulher. Já Spinoza definiu o sentimento como uma cócega acompanhada da idéia de uma causa exterior. O propósito de Schopenhauer é ultrapassar tais diversionismos e determinar a razão que incita a amar e malamar, / amar, desamar, amar como diria Drummond um século depois. Sua hipótese, como anuncia o título, é metafísica: o ser humano é impelido ao ato amoroso por uma misteriosa vontade de vida que, alheia aos possíveis sofrimentos (e prazeres) do indivíduo, busca tão somente preservar a espécie.

Filosofia

O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda.

Bertrand Russell

domingo, setembro 07, 2008

Fábula na Mongólia

"Mongolian Ping Pong", filme de estréia do chinês Ning Hao, é narrado à maneira de uma fábula. Nas estepes da Mongólia Interior, Província chinesa que faz divisa com a Mongólia, um menino, filho de nômades, encontra uma bola de pingue-pongue que vem boiando pelo rio. Não sabe o que é aquilo. Intrigado, sai em busca de uma resposta. Consulta a avó xamã. Quer saber se a bola foi enviada pelos espíritos do rio, se é uma pérola inchada. Mostra aos colegas. Ninguém nunca viu nada parecido.

Em princípio, a fábula poderia corroborar o mito exótico do isolamento. Como se nesse mundo desértico, onde não se avista nenhuma outra família, onde as coisas passam e nada parece acontecer, vivessem seres em estado de pureza absoluta, em harmonia com a natureza, tão isolados das sociedades industriais que a aparição de uma bola de pingue-pongue pudesse ter o efeito de uma nave de marcianos na praça da Paz Celestial, em Pequim.

O filme não cai nesse clichê. Desde a primeira cena, quando a família de nômades posa para um fotógrafo ambulante, aparentemente diante da praça da Paz Celestial, "Mongolian Ping Pong" dá a entender que falar de pureza num mundo pós-industrial globalizado, mesmo quando se trata de regiões remotas como as estepes mongóis, só pode ser obra de ignorância ou de má-fé. O fundo da foto é falso: a família está sendo registrada no meio da estepe, assim como mais tarde o mesmo fotógrafo usará um fundo falso com a imagem da estepe para seus retratos de famílias urbanas. O exótico e o extraordinário dependem sempre do ponto de vista. Cada um sonha com o que não tem.

É o que permite ao filme retratar os nômades com um humor fleumático. A garupa de um cavalo foi marcada com o símbolo "4 x 4" de uma picape que, quebrada, será rebocada por um cavalo. É o que lhe permite também fazer o elogio não idealizado das diferenças culturais e regionais, contra a homogeneização, sem cair na armadilha de ver essas diferenças como imaculadas ou imutáveis.

Essa fábula diz respeito à reinterpretação, à recriação, à imaginação e à reinvenção simbólica que o menino mongol projeta sobre a bolinha. Não sabe para que ela serve. Nunca viu um jogo de pingue-pongue (sua imaginação depende de que não veja). E quando, num programa de esportes, ouve dizer que a bola de pingue-pongue é a "bola nacional", decide ir a Pequim devolvê-la.

Resta dizer que, em sua precisão e sutileza, a última cena, misto de revelação e decepção, quando o menino descobre para que serve a bola, é um achado cinematográfico, em que o espectador continua sem ver, livre para imaginar.

Mongolian Ping Pong
Direção: Ning Hao

domingo, novembro 11, 2007

Poesia de recomeço

Rito de Iniciação

§ meu pai dizia as mangas que enverdeçam
para que o sal lhes dê um novo gosto
cortava o sol em fatias o sumo o rosto
sujava de luar de mate ou pouca
luz que fundeia na sombra da jaqueira
chegava à carne do fruto à rude juba
que arma em fera a pele do caroço

§ à margem do curral mergulho aberto
do tamarindo meu pai dizia fazes
o desgosto compões cada segredo
a cresciúma os ninhos nos alpendres
o adeus com flores os ombros dos mendigos
a sustentar a curva porta os cegos
a cavalo e os porcos nos açougues

§ o azul é rouco e teu meu pai dizia
este silêncio de viração furtada
outras monções com cheiro de goiaba

§ sabor só soturno soterrado
dá a manga o trotar o alaúde
meu pai dizia o sol é sal e o solo
nada cultiva em nós nem a descalça
morte rastro leve na farinha.

Alberto da Costa e Silva
ex-presidente da Academia Brasileira de Letras

http://www.revista.agulha.nom.br/acosta.html

Um pouco de história

História do sushi

Origem
O Japão retira do mar os principais alimentos que compõem a sua cozinha. Os peixes, as algas e os frutos do mar estão presentes em praticamente todos os pratos da culinária japonesa. As terras são montanhosas e são poucos os locais onde é possível desenvolver a agricultura. O arroz é uma cultura de alta produção em áreas pequenas.

O sushi é um alimento que tem origens remotas. Antigamente, no japão, os peixes para serem transportados para outros lugares eram conservados no arroz cozido. Os japoneses sabiam que o arroz liberava o ácido acético e láctico que garantiria a qualidade por mais tempo. Assim, retirava-se a cabeça e as vísceras do peixe e o filé era conservado salgando-o e acondicionando-o entre camadas de arroz, onde o peixe fermentava naturalmente, adquirindo um sabor ácido. A técnica também era usada pelos pescadores que ficavam pescando em alto mar, criando-se assim o sushi prensado.
A técnica de conservação do peixe foi, aos poucos, transformando-se num prato, e o sabor ácido conseqüente da fermentação foi substituído por ácido acético e, mais tarde, pelo vinagre. Finalmente, o peixe e o arroz com vinagre passaram a contar com o shoyu, enriquecendo ainda mais o seu sabor.
Por volta do século XIV, os japoneses, grandes apreciadores de arroz, passam a consumir não só o peixe como também o arroz, antes que este fermentasse. Surge assim o namanarizushi, que originou os tipos de sushi conhecidos na atualidade.
No período Edo (séculos XVII a XIX), o arroz passa a ser temperado com o vinagre e o peixe, devido à fartura de pescados e frutos do mar na baía de Tóquio, passa a ser consumido cru e fresco. Surgiu assim o hayazushi.
Preparado basicamente com arroz, peixes e frutos do mar, o sushi tornou-se moda em vários países do Ocidente, por seu sabor exótico e agradável e por ser reconhecido como uma das iguarias mais saudáveis do mundo.

Etimologia
O termo conhecido como sushi é japonês. É ainda escrito em kanji (carateres chineses) para os pratos chineses antigos que carregam pouca semelhança com os sushi de hoje.

Sushi no Japão
No início do século XIX, quando Tókio ainda era chamado Edo, surgiram em suas ruas os Yatais, barracas onde a população se alimentava rapidamente. Nessa época, surge o niguirizushi, o casamento perfeito do oniguiri (bolinho de arroz) e do peixe cru. O niguirizushi é também chamado de edomaezushi, porque eram utilizados pescados, frutos do mar e algas retiradas da baía de Tókio, produtos típicos de Edo.
Hanaya Yohei, considerado o primeiro sushiman da história, tornou-se famoso ao aperfeiçoar o sabor, a forma e a apresentação mais simples do sushi, ou seja, introduziu o costume de saboreá-lo com as mãos, sem o uso do hashi.
Em 1923, ocorreu o grande terremoto de Tókio, que fez com que muitos sushimen abandonassem a cidade e retornassem às suas províncias de origem, propagando o sushi por todo o país.
A partir de 1980, nos Estados Unidos, difunde-se a idéia de que a cozinha japonesa, especialmente o sushi, é saudável, o que causou o chamado "sushi boom" por todo o mundo, com a abertura de sushi-bares, rodízios de sushi, utilização de robôs na sua produção etc.
O sushi contemporânea caracteriza-se pela oferta de novos tipos de sushi com a adoção de elementos culinários próprios de cada país, aliados à técnica e à inspiração dos sushimen. De acordo com o chef Carlos Watanabe, "o sushi contemporâneo, ou fusion, surgiu nos países cuja identidade gastronômica não estaria enraizada em culturas gastronômicas muito rígidas, permitindo experiências inusitadas, que aliam a cultura tradicional com a cultura local e suas diversas influências, atraindo cada vez mais pessoas de paladares ecléticos e ávidos por novas experiências".

Sushi no Brasil
Como todos os aspectos da cultura a culinária recebe a influência da cultura local. O sushi tradicional também recebe a interferência da culinária brasileira. É muito comum verificar que os sushiman desenvolvem modalidades de sushis com característica próprias. No Ceará, vemos uma variedade incrivel de combinacoes como por exemplo: o SUSHI DE CARANGUEJO - carne de caranguejo, arroz, gergelim e alga marinha que só é servido as quintas feiras dia tradicional de se comer carangueijo na noite cearense, e outros tantos tais como EBI MAKI COM QUEIJO - camarão, queijo, arroz, gergelim e alga marinha; MAKI DE MORANGO - morango, arroz, gergelim e alga marinha; SKIN ROLL COM QUEIJO - salmão frito, queijo, arroz, gergelim e alga marinha; KAPPA MAKI - pepino, arroz, gergelim e alga marinha; CALIFÓRNIA ABACATE - abacate, manga, kani, pepino, arroz, gergelim e alga marinha; CALIFÓRNIA - manga, kani, pepino, arroz, gergelim e alga marinha; MAKI DE PATÊ - salmão, atum, arroz, gergelim e alga marinha BERINJELA - berinjela desidratada, arroz e alga marinha; BERINJELA COM QUEIJO - berinjela desidratada, queijo, arroz e alga marinha; BERINJELA COM TOMATE SECO - berinjela desidratada, tomate seco, arroz e alga marinha

para ver mais click em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_sushi

domingo, novembro 04, 2007

Volta após a estiagem

Amigos Virtuais e Pessoais,

Estive fora uns tempos, agora que a época de estiagm passou, as chuvas voltaram; estou de volta à minha criação, ao meu blog querido! Nesta ocasiao, nada mais oportuno do que um poema sobre volta!

Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei!...

Tudo estava igual
Como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei!...

Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é meu lugar
Eu voltei pr'as coisas
Que eu deixei
Eu voltei!...

Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz
Entrar primeiro
Todo meu passado iluminei
E entrei!...

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar
Por onde andei?
E eu falei!...

Onde andei!
Não deu para ficar
Porque aqui!
Aqui é meu lugar
Eu voltei!
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!...

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei!...

Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei!...

Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é o meu lugar
Eu voltei!
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!..(2x)

Eu parei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo!

Apesar de meio brega, me tras lembranças de minha infância adormecida,quando eu acordava com os galos cantando, os passarinhos gorgeiando e as vacas e os bois mugindo, na exuberanta paisagem da serra de Mata Atlantica, hoje tão raro!!!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Liberdade..........

A busca por novos desafios impossibiltou que esse blog continuasse a ser publicado, mas como somos livres e assumimos as nossas escolhas, agora só me resta terminar este ano com pequenas publicações e começar o próximo ano com textos diferentes, que pelo menos tragam alguma novidade nestes tempos tão iguais ao passado!

Concordo com alguns pensamentos de pessoas que ousara, ser livres.

A liberdade, ao fim e ao cabo, não é senão a capacidade de viver com as consequências das próprias decisões.
(James Mullen)

Há homens que lutam um dia e são bons; Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são imprescindíveis.
(Bertold Brecht)

O primeiro passo para conseguirmos o que queremos na vida é decidirmos o que queremos.
(Ben Stein)

sábado, julho 29, 2006

Homenagem a um centenário

Desculpem ter ficado um tempo sem publicar! trago um dos mágicos da literatura nacional!

AH! OS RELÓGIOS
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana

sexta-feira, julho 07, 2006

Futebol e desencanto

Futebol não é somente ópio do povo! Futebol também é batalha campal, arte de ser mais esperto que o adversário e sarcasmo de vencedores sobre derrotados. Perder sem jogar com arte, mata todo o sentimento de que algo bom existe no mundo, quando toda nação conseguiu formar artistas da bola que encantam. Perder faz parte do jogo, mas o povo se desencanta consigo mesmo, pois foi incapaz de gerar uma geração vencedora e quer renovação, assim como na vida, quando perdemos algo ou alguém!
Anônimo

uma poesia

Saber

Ontem ela perguntou, curiosa,
Qual a razão de querer saber?
Estudar tanto, conhecer, pra que?
Deixar de viver para viver o saber?

Não imagina ela, sei que toca,
Incendeia, infla, dignifica meu coração,
Tocando cada partícula de meus neurônios,
Estimula toda minha capacidade de amar!

Fala de coisas que me dizem, meu ser,
Minha identidade, meu jeito de dizer,
De demonstrar, o quanto aprecio,
Desejo me afino com seu timbre!

imagem sempre serena, calma,
Fico sintonizado na sua freqüência
Aprecio cada instante da mágica,
De estar vivendo cada momento desse,
“AMOR”
KyoHiro

quarta-feira, julho 05, 2006

uma poesia

Palhacinha

Sorrir, alegrar
Viver, sentir
Criança, marota
Riso contido, pueril

Menina, quase moça
Queria ser grande,
Tem saudades da guria,
Ainda dentro de si

Tem angústias
Sofre; ama,
Ri, faz sorrir,
Alegra os infelizes

Tua força oculta,
Vem de sua graça,
De seu ímpeto, ardor,
Fundo d’alma, alegria!!
KyoHiro

sábado, junho 24, 2006

Um prêmio Nobel

Captura, A KENZABURO OE

Publicado em 1958, narra a história de um soldado negro que sofre um acidente de avião num vilarejo encravado nas montanhas do Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.O Nobel de Literatura de 1994 retrata do povoado onde ele é mantido em cativeiro e torna-se o centro das atenções.

domingo, junho 18, 2006

mais uma fábula do oriente

Narayama Bushiko
Sholei Imamura trabalhou com os mestres Ozu e Kurosawa - dos quais herdou a paciência artesanal e a perfeição da fotografia e dos enquadramentos - e dirigiu quinze filmes antes de realizar A Balada de Narayama (Narayama Bushiko), premiado com a Palma de Ouro de Cannes em 1983.
Quando foi exibido no Brasil, em 1984, o filme atraiu menos público do que merecia e foi visto pela crítica como um semidocumentário sobre camponeses do Japão no século 19 - uma espécie de versão nipônica de A Árvore dos Tamancos, do italiano Ermanno Olmi. Nada mais falso. O olhar lançado por Imamura sobre seus rústicos personagens nada tem da condescendência cristã com que Olmi mostra seus camponeses, sempre puros e intrinsecamente bons. Ao contrário: para preservar suas tradições e sua lei social, a comunidade pintada pelo cineasta japonês é capaz de violências assustadoras, não heistando, por exemplo, em enterrar viva uma família inteira por furtado comida. Outro erro generalizado foi ver no filme de Imamura o limitado propósito sociológico de examinar uma determinada cultura. A Balada de Narayama vai muito além: por trás da aparente crônica do cotidiano de uma aldeia está uma reflexão poética e filosófica sobre o destino do homem e as obsessões que o atormentam: o sexo, o envelhecimento, a morte.
Mostrada com sensibilidade mas sem ênfase melodramática e quase sem música, a longa peregrinação do filho que carrega sua mãe nas costas até Narayama (local sagrado onde os velhos são deixados para morrer sozinhos) é um dos momentos mais contundentes do cinema desta década. É como se a natureza - que faz durante todo o filme um contraponto à vida social - absorvesse os dois personagens, integrando-os à montanha, aos bichos e à neve. O efeito talvez não fosse tão forte sem o excepcional desempenho dos atores Ken Ogata (que depois seria o Mishima de Paul Schrader) e Sumiko Sakamoto, que chegou a extrair os dentes frontais para poder caracterizar a velha.
Amargurado com a ocidentalização do Japão, que trouxe consigo a ênfase na efici~encia e na racionalidade, Imamura se define como um artista em busca das suas próprias origens. A Balada de Narayama testemunha essa procura.
J.G.C.