sexta-feira, junho 09, 2006
Modernidade
Adriano passou 40 anos trabalhando numa repartição pública, começou como contínuo e chegou a gerência do setor financeiro. Agora está aposentado. Desde as últimas 10 horas não tem a obrigação de acordar cedo para defender o leite das crianças. Havia jurado para sua neta que iria iniciar sua carreira literária, criando um blog e começar a escrever seus textos. Anália, a netinha, tinha 15 anos e já tinha seus textos publicados para que suas amiguinhas lessem seus textos. Uma vez havia lido e achado muito estranho que aquilo fosse um diário, onde expunha sua mágoas e sonhos. O seu blog teria que ser diferente. Ele tinha a literatura não apenas como uma forma de criar estórias e contar histórias, mas muito mais como uma forma de transformar suas idéias, seus conhecimentos filosóficos, científicos, protestos, críticas, amores, sexo e suas fantasias, em texto. Ele queria fugir do didatismo e do estrelismo de muitos autores que apenas escrevem tentando mostrar o quanto são excelentes, usando palavras rebuscadas, frases de efeito e textos falando de suas qualidades. A literatura era uma forma de tentar fundir sua experiência de vida, como uma forma impressa de suas idéias, de maneira simples e espontânea. Sua neta talvez ache esquisito ler as narrativas do avô, mas ele também acha estranho ler os textos dela falando de namoro e beijos, quando na sua época de adolescente ficava maravilhado em conseguir conversar e pegar na mão de uma garotinha.
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